#28O FemininoArtigo

A mulher na História do Brasil: a grande estrutura invisível

por Jorge Caldeira

Em algum momento do século XVII, o padre Guilherme Pompeu de Almeida colocou no papel as seguintes ideias que estavam em sua cabeça:“João Ramalho, filho do Reino, teve uma filha que se casou com Bartolomeu Camacho; este teve uma filha que se casou com Jerônimo Dias Cortes; este teve outra filha que se casou com Domingos Luiz, o Carvoeiro; este teve uma filha que se casou com João da Costa; este teve uma filha Maria de Lima que se casou com João Pedroso; estes tiveram a filha Ana Lima, casada com o capitão-mor Guilherme Pompeu de Almeida” .Esse modo de expressar a cadeia de ancestrais mostra estruturas que parecem estranhas aos costumes ocidentais: revela apenas os nomes de homens por quatro gerações, enquanto omite aqueles das mulheres. Nas mesmas gerações, aparece apenas a nomeação “filha”. Apesar do silêncio sobre o nome, a genealogia segue de mãe para filha – e…

Este conteúdo é exclusivo para assinantes

Assine ou para ter acesso a todo o nosso conteúdo.