Literatura

Morte ou a iminência do que está prestes a parar de existir

por Marina Lattuca

Nasci em um 2 de novembro de muita chuva: dia de Finados. Minha mãe achou que, de alguma forma, aquilo não era bom augúrio e me registrou no dia seguinte. Não posso dizer que necessariamente era um mau sinal. 

Veja, por exemplo, o Dia de Los Muertos, no México. Para eles, nascer nesta data, deve ser motivo de muita alegria e festa. Os mexicanos alimentam-se da morte. Um dos quitutes mais comuns dessa incrível festa são as calaveras dulces, doces tradicionalmente feitos de açúcar simulando o formato de uma caveira.

A morte pode ser doce.

Carrego a questão do fim, na minha história, desde o dia em que vim a vida no dia dos mortos. Mas um dia em específico houve uma morte muito diferente da que conhecia. Era um final de semana de acampamento na serra. Estávamos em um grande grupo, fazendo uma trilha íngreme que levava por caminhos tortuosos a um pico, de onde se debruçava um véu branco d’água. Eu seguia de uma perna a outra em pequenos pulos buscando acelerar o trajeto. Chutando pedras, folhas, tocos. Quando avistei uma pedra escura, do tamanho de uma cabeça, quase no topo do fim do trajeto. Perfeita. Acelerei o passo correndo e ensaiando a perna direita para o chute. Chutei. 

Em uma fração de segundos, consegui entender o que estava por vir, como em uma espécie de efeito borboleta.

Logo abaixo do pico, estava a queda d’água. Logo abaixo da queda d’água, três pessoas com os olhos fechados desfrutando do mergulho. Logo abaixo de mim, uma pedra escura, do tamanho de uma cabeça, caindo em direção aos crânios das pessoas que estavam embaixo. Grunhi alto tentando gritar mais alto que a água. Mas não se ouvia o grito-grunhido. O mergulho acabou antes da pedra cair. 

O grupo lá embaixo, por alguma força cósmica, se retirou antes da pedra atingir o poço calmamente. A pedra não tinha pressa, a água não tinha pressa, eles não tinham pressa. Eu tinha, muita. 

Como eles não sabiam o que estava por vir, e – de fato – o que estava para vir, não veio, nem mesmo perceberam o que tinha acabado de não acontecer. 

Pensei que a vida é bem assim. 

Não percebemos o que não aconteceu nunca. Quantas pedras devem ter despencado e quase atingido nossas cabeças? E quantas vezes nos desviamos delas, em uma inocência débil, sem nem perceber. Essa morte, de certa forma, é uma morte da morte. Explico melhor: é a morte, de uma possível morte. 

A morte pode ser doce. 

Às pedras, eu disse mais tarde a mim mesma, que continuem desviando de nós, antes que precisemos nos desviar delas. 

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