Skip to content
Revista Amarello
  • Cultura
    • Educação
    • Filosofia
    • Literatura
      • Crônicas
    • Sociedade
  • Design
    • Arquitetura
    • Estilo
    • Interiores
    • Mobiliário/objetos
  • Revista
  • Entrar
  • Newsletter
  • Sair

Busca

  • Loja
  • Assine
  • Encontre
#11SilêncioCulturaLiteratura

Silêncio! Silêncio, por favor, silêncio!

por Caito Ortiz

Quem pede silêncio pressupõe autoridade. O silêncio como forma de educação sublime, como forma de disciplina, de elevação espiritual.

Ele achava impossível fazer silêncio: “o que fazer, nasci barulhento…” Falou alto desde sempre. E muito. Sua avó dizia para as amigas que ele morava atrás da cachoeira; por isso, o pobrezinho falava tão alto. Era feliz. Cresceu e descobriu o rock’n’roll. Tocou discos, fitas K-7, depois CDs, AIFFs, MP3s, tudo sempre muito alto. O barulho como forma máxima de expressão. Logo pôs as mãos em uma guitarra, que aprendeu a tocar e tocou muito. E alto. Bem alto. Alto, alto, alto.

Nunca ouviu John Cage. Preferia J.J. Cale. Punk rock sempre, sempre em festa e sempre cercado de alegria. Um homem feliz. A felicidade é barulhenta.

O volume da vida aumentou, o trabalho aumentou, a família aumentou, o dinheiro aumentou, as preocupações aumentaram, as responsabilidades, os acertos, os erros, a angústias, as necessidades, os desejos, as decepções, as escolhas erradas. Tudo era excesso, a forma máxima de barulho.

“Silêncio! Silêncio, por favor. Silêncio!”

Um dia acordou diferente. No começo, não percebeu o que estava errado. Sentia-se perdido, como se estivesse vazio por dentro, como se sua natureza o tivesse abandonado. Estava envolto em silêncio. Um silêncio puro, denso, profundo. No fundo da sua alma, sabia que o silêncio um dia o alcançaria.

Em silêncio, a sua essência se fora.

E agora, José?

O silêncio é vazio, é ausência. Com o silêncio veio o medo. Medo de ficar sozinho, de viver sozinho, de morrer sozinho. Só o barulho lhe dava forças. Em silêncio, descobriu-se fraco, como um Sansão às avessas.

Conheceu a tristeza profunda. Chorou muito, sozinho, em silêncio.

A ausência do barulho lhe doía na alma. Uma saudade profunda, uma tristeza que lhe esmagava o peito. Em silêncio, não conseguia mais fazer amor.

Como poderia ser que agora fosse obrigado a viver assim?

Tentou de todas as formas trazer o barulho de volta, mas não conseguiu. Nunca se sentiu tão impotente perante a vida. Descobriu sentimentos que não conhecia e entendeu que sua essência havia se perdido para sempre. Resignado, seguiu em silêncio. Entendeu que o silêncio é uma gruta escura. Aprendeu a sentir prazer em explorá-la, mas essa não era sua essência.

Nunca conseguiu ser verdadeiramente feliz em silêncio.

Mas existe uma esperança: morrer em silêncio deve ser o melhor tipo de morte. Sem agonia, sem barulho.

“Silêncio! Silêncio, por favor. Silêncio!”

Compartilhar
  • Twitter
  • Facebook
  • WhatsApp

Conteúdo relacionado


Sonhos não envelhecem

#49 Sonho Cultura

por Luciana Branco Conteúdo exclusivo para assinantes

150 anos de Floresta Aurora: o primeiro Clube Negro do Brasil

Cultura

por Poli Pieratti

No hay banda

#11 Silêncio Cultura

por Helena Cunha Di Ciero Conteúdo exclusivo para assinantes

Naturismo e a busca pela vida simples

#2 Nu Cultura

por Flavia Milioni Conteúdo exclusivo para assinantes

Um baile de máscaras

#19 Unidade Arte

por Alberto Rocha Barros Conteúdo exclusivo para assinantes

Extacity

#10 Futuro Cultura

por Marko Brajovic Conteúdo exclusivo para assinantes

Políticas públicas: como são (ou deveriam ser) feitas

Cultura

por Revista Amarello Conteúdo exclusivo para assinantes

Amyr Klink: “Eu venho da África”

#32 Travessia Cultura

por Amyr Klink

Carmen: um tablado para pisotear o medo

#3 Medo Cultura

por Roberta Ferraz

Amor, arte e identidade: o levante afetivo de Samira e Z

#50 Família Arte

por Revista Amarello Conteúdo exclusivo para assinantes

Pênis

#36 O Masculino Cultura

por Veronica Stigger

O que você está fazendo aqui?

#13 Qual é o seu legado? Cultura

por Bruno Pesca Conteúdo exclusivo para assinantes

Dois e dois são dois: Zola Star e François Muleka

#44 O que me falta Arte
  • Loja
  • Assine
  • Encontre

O Amarello é um coletivo que acredita no poder e na capacidade de transformação individual do ser humano. Um coletivo criativo, uma ferramenta que provoca reflexão através das artes, da beleza, do design, da filosofia e da arquitetura.

  • Facebook
  • Vimeo
  • Instagram
  • Cultura
    • Educação
    • Filosofia
    • Literatura
      • Crônicas
    • Sociedade
  • Design
    • Arquitetura
    • Estilo
    • Interiores
    • Mobiliário/objetos
  • Revista
  • Amarello Visita

Usamos cookies para oferecer a você a melhor experiência em nosso site.

Você pode saber mais sobre quais cookies estamos usando ou desativá-los em .

Powered by  GDPR Cookie Compliance
Visão geral da privacidade

Este site utiliza cookies para que possamos lhe proporcionar a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Cookies estritamente necessários

O cookie estritamente necessário deve estar sempre ativado para que possamos salvar suas preferências de configuração de cookies.

Se desativar este cookie, não poderemos guardar as suas preferências. Isto significa que sempre que visitar este website terá de ativar ou desativar novamente os cookies.