Skip to content
Revista Amarello
  • Cultura
    • Educação
    • Filosofia
    • Literatura
      • Crônicas
    • Sociedade
  • Design
    • Arquitetura
    • Estilo
    • Interiores
    • Mobiliário/objetos
  • Revista
  • Entrar
  • Newsletter
  • Sair

Busca

  • Loja
  • Assine
  • Encontre
#16RenascimentoCulturaLiteratura

A ordem do renascimento

por Léo Coutinho

Ampulheta #2, de Felipe Cohen (2013) – detalhe
Foto de Everton Ballardin

Quinhentos anos depois, o pensamento político do Renascimento ainda vigora em sua plenitude. O Príncipe, obra emblemática de Nicolau Maquiavel, é o retrato de como a política acontecia na prática, e não uma proposta do autor, como a história a absorveu.

Quando usados como metáfora para narrativas atuais, os modos e costumes da política medieval mostram que atravessaram a Renascença e estão absolutamente vivos. Trair, matar, ocupar, dominar, subjugar são verbos que podem ser conjugados no presente na crônica política ao redor do mundo. Em alguns casos, valem inclusive literalmente.

Num contexto histórico, quinhentos anos não é tanto tempo assim. Os métodos anteriores à noção de república estão nas pessoas e ninguém pode negar o atavismo. Estima-se que em menos de 20% das nações exista hoje em dia a combinação de direito a voto, liberdade de imprensa e justiça independente. A direita xenófoba avança no continente europeu. Segundo a Anistia Internacional, quase a metade dos cidadãos da Grã-Bretanha rechaçam a ideia de proibir a tortura em nível global. No Brasil, o IPEA fez as contas e apontou que 26% das pessoas concordam que a mulher que mostra o corpo merece ser atacada. O autoritarismo está entre nós.

A parte boa é que os avanços também são inegáveis. As possibilidades de comunicação que a tecnologia trouxe estão sintonizando o mundo ao senso comum numa velocidade raramente experimentada, muito mais acelerada do que é capaz a evolução do senso comum. Governos autocráticos caem pelos quatro cantos e, se novos tiranos sobem em seu lugar, ou arranjam espaço para reverter conquistas democráticas, é porque o autoritarismo ainda é intimamente tolerado e até defendido pela sociedade em certos pontos. Minha impressão – e torcida – é que o senso comum deve continuar amadurecendo gradualmente no sentido republicano, e os governos terão que se adaptar inexorável e determinantemente.

Não é apenas da política que nos chegam os ecos do Renascimento. Ainda estão entre nós variados exemplos da força transformadora que a criatividade mostra na civilização, mesmo quando avança com velocidade diferente do senso comum. Além das artes – e seria covardia elencar o legado do período —, também a ciência e a tecnologia renascentistas são indissociáveis de nossa experiência contemporânea e do futuro que podemos imaginar – de preferência, com um legado menos terrível e cru que o de Maquiavel.

Compartilhar
  • Twitter
  • Facebook
  • WhatsApp

Conteúdo relacionado


Sonhos não envelhecem

#49 Sonho Cultura

por Luciana Branco Conteúdo exclusivo para assinantes

Estoicismo demais, empatia de menos: por que homens leem menos ficção?

Cultura

por Revista Amarello Conteúdo exclusivo para assinantes

L’enfer, c’est les autres: mas e se o inferno for estar sozinho?

#21 Solidão Cultura

por Leticia Lima Conteúdo exclusivo para assinantes

Mirar retomada

#43 Miragem Cultura

por Jéssica Hipólito

Abraçar aquilo que não controlamos

#42 Água Fotografia

por Gustavo Freixeda

Apagamento e resgate histórico: o Largo do Rosário

Cultura

Nove expoentes da cultura indígena que você tem que conhecer

#37 Futuros Possíveis Cultura

por Gean Ramos

O que a inteligência das plantas nos diz sobre o futuro do mundo?

Cultura

por Revista Amarello Conteúdo exclusivo para assinantes

Para felicidade geral, digo que fico

#4 Colonialismo Crônica

por Adriana Calabró Conteúdo exclusivo para assinantes

A Bolsa Maria

#35 Presente Design

por Savio Farias

Dois e Dois são Dois: Shundi e Fanucci

Arquitetura

Quantas histórias cabem em uma semente?

#50 Família Cultura

por Zurī Rosalino Conteúdo exclusivo para assinantes

Editora convidada: Manuela Costalima

#21 Solidão Editorial

por Manuela Costalima Conteúdo exclusivo para assinantes

  • Loja
  • Assine
  • Encontre

O Amarello é um coletivo que acredita no poder e na capacidade de transformação individual do ser humano. Um coletivo criativo, uma ferramenta que provoca reflexão através das artes, da beleza, do design, da filosofia e da arquitetura.

  • Facebook
  • Vimeo
  • Instagram
  • Cultura
    • Educação
    • Filosofia
    • Literatura
      • Crônicas
    • Sociedade
  • Design
    • Arquitetura
    • Estilo
    • Interiores
    • Mobiliário/objetos
  • Revista
  • Amarello Visita

Usamos cookies para oferecer a você a melhor experiência em nosso site.

Você pode saber mais sobre quais cookies estamos usando ou desativá-los em .

Powered by  GDPR Cookie Compliance
Visão geral da privacidade

Este site utiliza cookies para que possamos lhe proporcionar a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Cookies estritamente necessários

O cookie estritamente necessário deve estar sempre ativado para que possamos salvar suas preferências de configuração de cookies.

Se desativar este cookie, não poderemos guardar as suas preferências. Isto significa que sempre que visitar este website terá de ativar ou desativar novamente os cookies.