Skip to content
Revista Amarello
  • Cultura
    • Educação
    • Filosofia
    • Literatura
      • Crônicas
    • Sociedade
  • Design
    • Arquitetura
    • Estilo
    • Interiores
    • Mobiliário/objetos
  • Revista
  • Entrar
  • Newsletter
  • Sair

Busca

  • Loja
  • Assine
  • Encontre
#30IlusãoCulturaLiteratura

Montanha ao longe

por Léo Coutinho

Montanha ao longe, água corrente, fogo crepitante. Alguém disse que são as três imagens capazes de inebriar o espírito humano.

Na fogueira deste começo de século, a humanidade parece completamente inebriada pela fogueira onde arde a civilização ocidental, onde o quinto museu mais importante do mundo foi reduzido a cinzas e parece servir como exemplo físico do zeitgeist.

Há um sem fim de respostas para como chegamos ao estágio atual, com tantos loucos inebriados, enxergando as realidades mais diversas nas formas do fogo que arde.

Desigualdade social, avanço tecnológico, convivência demais, convivência de menos, individualismo, consumismo, invasão e evasão de privacidade, alimentação e cuidados com a saúde exagerados, em substância ou critério, para mais e para menos, mudanças climáticas, ciclo ou pêndulo histórico, grandes velocidades para tudo. Eu continuo me perguntando: como?

Da nossa necessidade atávica de crer, seja lá como for, surgem, como sempre surgiram, novas ilusões, para as quais sempre há público. Há quem diga que a novidade está na velocidade e na capacidade de aglutinação, além da nossa compreensão orgânica e intelectual. Tendo a concordar.

Desde o Renascimento, quando intelectualidade, pluralidade e humanismo prevaleceram sobre a dureza do período medieval, nos convencemos da infinitude das possibilidades da criação humana, da qual não duvido. Mas, como indica a Idade Média, uma árvore frutífera ou a gestação, talvez o tempo para absorvê-las seja imprescindível.

O Papa Francisco, melhor político em atividade, em viagem à Estônia, publicou a seguinte mensagem no momento em que eu terminava esta crônica:

“Um dos fenômenos que podemos observar nas nossas sociedades tecnocráticas é a perda do sentido da vida, a perda da alegria de viver e, consequentemente, um lento e silencioso amortecimento da capacidade de maravilhar-se, que muitas vezes mergulha as pessoas num cansaço existencial. A consciência de pertencer e lutar pelos outros, de estar enraizado num povo, numa cultura, numa família pode-se ir perdendo pouco a pouco, privando, sobretudo os mais jovens, de raízes a partir das quais possam construir o seu presente e o seu futuro, porque os priva da capacidade de sonhar, arriscar, criar. Colocar toda a confiança no progresso tecnológico como o único meio possível de desenvolvimento pode causar a perda da capacidade de criar vínculos interpessoais, intergeracionais e interculturais. Em resumo, aquele tecido vital que é tão importante para nos sentirmos parte um do outro e participantes dum projeto comum no sentido mais amplo da palavra. Por conseguinte, uma das responsabilidades mais importantes que temos – nós que assumimos uma função social, política, educacional, religiosa – é precisamente a maneira como nos tornamos artesãos de vínculos.”

Logo, devagar com o andor, que o santo é de barro. E o próprio tempo pode ser ilusão.

Compartilhar
  • Twitter
  • Facebook
  • WhatsApp

Conteúdo relacionado


Sonhos não envelhecem

#49 Sonho Cultura

por Luciana Branco Conteúdo exclusivo para assinantes

Os limites da liberdade

#12 Liberdade Cultura

por Alain de Botton Conteúdo exclusivo para assinantes

Lictzwang (de verde a vermelho)

#5 Transe Arte

por Daniel Steegmann Mangrané Conteúdo exclusivo para assinantes

Arjan Martins e a sociedade do espetáculo

#33 Infância Arte

Mulambö & Xadalu no CCSP: encurtar distâncias e buscar novas perspectivas

Arte

Yves Saint Laurent: reflexões sobre beleza e gosto

#14 Beleza Design

por Everton Barreiro Conteúdo exclusivo para assinantes

Utopia e pão

#9 Obsessão Cultura

por Léo Coutinho Conteúdo exclusivo para assinantes

Mirar o Brasil para além do sincretismo: o vasto horizonte de palavras e práticas

#39 Yes, nós somos barrocos Cultura

por Celso Francisco Gayoso Conteúdo exclusivo para assinantes

Antonio Candido e a literatura como espelho do Brasil

Cultura

por Revista Amarello

A chama do silêncio: os objetos são o refúgio

Design

por Revista Amarello Conteúdo exclusivo para assinantes

Föräldraledighet

#36 O Masculino Cultura

por Leticia Lima Conteúdo exclusivo para assinantes

Sertão, de Caminha a caminho

#51 O Homem: Amarello 15 anos Cultura

por Jorge Caldeira Conteúdo exclusivo para assinantes

Uma valsa no farol

Literatura

por Helena Cunha Di Ciero

  • Loja
  • Assine
  • Encontre

O Amarello é um coletivo que acredita no poder e na capacidade de transformação individual do ser humano. Um coletivo criativo, uma ferramenta que provoca reflexão através das artes, da beleza, do design, da filosofia e da arquitetura.

  • Facebook
  • Vimeo
  • Instagram
  • Cultura
    • Educação
    • Filosofia
    • Literatura
      • Crônicas
    • Sociedade
  • Design
    • Arquitetura
    • Estilo
    • Interiores
    • Mobiliário/objetos
  • Revista
  • Amarello Visita

Usamos cookies para oferecer a você a melhor experiência em nosso site.

Você pode saber mais sobre quais cookies estamos usando ou desativá-los em .

Powered by  GDPR Cookie Compliance
Visão geral da privacidade

Este site utiliza cookies para que possamos lhe proporcionar a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Cookies estritamente necessários

O cookie estritamente necessário deve estar sempre ativado para que possamos salvar suas preferências de configuração de cookies.

Se desativar este cookie, não poderemos guardar as suas preferências. Isto significa que sempre que visitar este website terá de ativar ou desativar novamente os cookies.