Skip to content
Revista Amarello
  • Cultura
    • Educação
    • Filosofia
    • Literatura
      • Crônicas
    • Sociedade
  • Design
    • Arquitetura
    • Estilo
    • Interiores
    • Mobiliário/objetos
  • Revista
  • Entrar
  • Newsletter
  • Sair

Busca

  • Loja
  • Assine
  • Encontre
#Terra: Especial 10 anosCrônicaCulturaLiteratura

Achados e perdidos

por Vanessa Agricola

Lembram daquela historinha, do menino que acha o pinguim, quer dizer, o pinguim toca a campainha da casa do menino e vai entrando, e o menino, sem saber o que fazer com o bicho, leva ele para o Achados e Perdidos?

Esqueceram um guarda-chuva, um chapéu, mas ninguém esqueceu um pinguim, não senhor.

Então o menino construiu um barquinho para levar o pinguim para o Polo Sul. É lá que os pinguins moram, o menino descobriu. E, depois de enfrentar o mar aberto, os dois chegam, e o menino se despede do pinguim, que fica junto com todos os outros pinguins do Polo Sul, e vai embora, sozinho, de volta para casa. Só que, no meio do caminho, ele se dá conta de que o pinguim era seu único amigo. E o pinguim, lá no Polo Sul, junto dos outros pinguins, também sente falta do menino. Então o pinguim e o menino correm para reencontrar um ao outro. O menino chega no Polo Sul e não acha o pinguim. O pinguim vai para o alto mar e não acha o menino. Mas, no final feliz, felizmente, eles se reencontram e seguem juntos, de volta para casa?

Mas o que essa história tem a ver com a Terra?

Depende. Se você se identifica com o menino ou com o pinguim. Os dois não são iguais.

O menino não saiu do seu lugar, foi o pinguim que tocou a campainha. Mas ele foi generoso de ajudar o estranho, e recebê-lo. Emprestando até o seu travesseirinho.

Ele era o menino.

O pinguim era um outsider. Pinguins não são daqui, são lá do Polo Sul. Mas lá no Polo Sul, junto dos outros, ele não se sentia em casa.

Eu era o pinguim.

E você? É um achado ou um perdido?

Ele era um achado.

O menino era um anjo, que abriu a porta para o perdido, e ele tinha um radinho que o pinguim gostou tanto. É bonito quando o menino tenta esconder o radinho em cima do refrigerador – e eu só não falei geladeira porque não ia ser tão bonito quanto foi a cena; ele, finalmente, deixando o pinguim brincar com seu objeto tão querido. Só um anjo faz uma coisa dessas.

Mas eu te digo uma coisa, o pinguim merecia.

No Polo Sul, o pinguim era um coitado, que ninguém nunca viu, afinal são bilhões de pinguins no Polo Sul.

Sete bilhões e meio. Todos iguais.

Todos perdidos.

Mas parece que tem um bilhão e meio querendo ser salvos, e o pinguim certamente era um deles. Dos únicos que sabem que, além do Polo Sul, existe um menino. Um extraterrestre que nunca faria mal a um pinguim, nunca fez.

Eu te amo, pinguim, o menino falou para ele, antes de o pinguim descer do barquinho, de volta para o Polo Sul. O pinguim disse, eu também te amo muito. De fato, foi um abraço que disse tudo isso. E o menino deu para o pinguim o radinho de presente.

Já descobriu quem é você?

Quando você diz que eu sou muito difícil, virando os olhos de lamentação para um, para todos.

Quando a Josy disse que ela deu o apelido do meu filho, Antônio, de Pim.

Eu sei que não é simples.

Eu posso, sim, ser um monstro quando você não sabe respeitar o meu amor pelo meu menino.

Você também é um monstro. E um anjo. E isso é que é complicado.

Todo mundo é um achado e um perdido.


Originalmente publicado na edição Terra

Assine e receba a revista Amarello em casa
Compartilhar
  • Twitter
  • Facebook
  • WhatsApp

Conteúdo relacionado


Sonhos não envelhecem

#49 Sonho Cultura

por Luciana Branco Conteúdo exclusivo para assinantes

Sonho — Amarello 49

#49 Sonho Editorial

Demolição — Amarello 40

#40 Demolição Editorial

A crise da monogamia: o poliamor e as novas formas de afeto

Sociedade

por Revista Amarello Conteúdo exclusivo para assinantes

Paisagismo Inhotim

#6 Verde Arte

por Bernardo Paz Conteúdo exclusivo para assinantes

O teorema de Nino Cais

#44 O que me falta Arte

por Paula Borghi

Itcoisa: Lama negra de Araxá

#38 O Rosto Design

por Raphael Nasralla

A demolição da existência moral: a criação de si como obra de arte

#40 Demolição Cultura

por Luiz Fuganti Conteúdo exclusivo para assinantes

Desejos para um futuro

#35 Presente Artigo

por João Bandeira

Sankofa: ideias ancestrais para a construção de futuros possíveis

#47 Futuro Ancestral Cultura

por Priscila Carvalho

Amarello Visita: Mães do Samba do Império Serrano

#46 Tempo Vivido Amarello Visita

por Pâmela Carvalho Conteúdo exclusivo para assinantes

Amarello Visita: Habita-me

#30 Ilusão Amarello Visita

por Renato Oliveira Conteúdo exclusivo para assinantes

Nós e eles: como pensar o direito dos animais?

Cultura

por Leticia Lima

  • Loja
  • Assine
  • Encontre

O Amarello é um coletivo que acredita no poder e na capacidade de transformação individual do ser humano. Um coletivo criativo, uma ferramenta que provoca reflexão através das artes, da beleza, do design, da filosofia e da arquitetura.

  • Facebook
  • Vimeo
  • Instagram
  • Cultura
    • Educação
    • Filosofia
    • Literatura
      • Crônicas
    • Sociedade
  • Design
    • Arquitetura
    • Estilo
    • Interiores
    • Mobiliário/objetos
  • Revista
  • Amarello Visita

Usamos cookies para oferecer a você a melhor experiência em nosso site.

Você pode saber mais sobre quais cookies estamos usando ou desativá-los em .

Powered by  GDPR Cookie Compliance
Visão geral da privacidade

Este site utiliza cookies para que possamos lhe proporcionar a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Cookies estritamente necessários

O cookie estritamente necessário deve estar sempre ativado para que possamos salvar suas preferências de configuração de cookies.

Se desativar este cookie, não poderemos guardar as suas preferências. Isto significa que sempre que visitar este website terá de ativar ou desativar novamente os cookies.