Skip to content
Revista Amarello
  • Cultura
    • Educação
    • Filosofia
    • Literatura
      • Crônicas
    • Sociedade
  • Design
    • Arquitetura
    • Estilo
    • Interiores
    • Mobiliário/objetos
  • Revista
  • Entrar
  • Newsletter
  • Sair

Busca

  • Loja
  • Assine
  • Encontre
CulturaLiteratura

Machucado ou a necessidade do estrago

por Marina Lattuca

Quando tinha uns 7 anos tomei uma unhada da minha vó no lábio inferior. Ela quase chorou de dó e culpa. Eu fiquei meio assustada porque machucado causado por vó é praticamente um paradoxo. Vó normalmente cuida do machucado. Foi sem querer, eu sei. Depois, inclusive, achei o máximo. Aquele risco craquelado na boca me deixou com um ar de moleque, de vivida, de selvagem. E até hoje eu acho corte na boca bonito. Corte na sobrancelha também tem seu valor, mas na boca é outra coisa.

O mundo se divide entre as pessoas que idolatram os machucados e as que odeiam os queloides. Eu sempre tive um fraco pelos machucados. No meu corpo de menina, aquilo me dava um ar de corrompida. Desleixada. E eu queria aquilo pra mim.

O corpo apagado, dizem, é o que torna a mulher bonita. O corpo com as marcas apagadas, as gorduras desaparecidas, as rugas esmaecidas e as estrias cobertas. Mas quando criança era o contrário. Eu queria as marcas. Especificamente as marcas masculinas. Da violência, da guerra, da batalha e do conflito. Como se, testemunhando os perigos que enfrentei, elas servissem de alerta aos mal-intencionados que buscavam me amedrontar. No interior da Bahia, na praia, os moleques pulavam por cima desse corpo deitado de marca-menina. Como em equitação de primeira, eles montavam seus cavalos fálicos e corriam com raiva freando os pés só quando já estavam a um centímetro das nossas carnes. Depois continuavam com impulso tropeçando e rindo. A minha irmã me fitava com os olhos distraídos, como quem diz: “deixa pra lá, vai”. E eu levantava da minha condição de obstáculo-barreira e queria montar no cavalo. Gritava, com uma vergonha horrível de estar com os peitos cobertos apenas pelo biquíni ridículo. Xingava com palavras sujas e os meninos, que riam, montavam no cavalo pra recomeçar o circuito.

Compartilhar
  • Twitter
  • Facebook
  • WhatsApp

Conteúdo relacionado


Sonhos não envelhecem

#49 Sonho Cultura

por Luciana Branco Conteúdo exclusivo para assinantes

Ócio criativo sem limites

#24 Pausa Arte

por Jair Peres Conteúdo exclusivo para assinantes

Plano de estado

#13 Qual é o seu legado? Cultura

por Léo Coutinho

Tema livre

#12 Liberdade Cultura

por Hermés Galvão Conteúdo exclusivo para assinantes

Heitor dos Prazeres: CCBB celebra vida e obra de um artista único

Artes Visuais

por Revista Amarello

América

#21 Solidão Arte

por Willian Silveira Conteúdo exclusivo para assinantes

Imagens Desviantes

#24 Pausa Arte

O que é bonito

#14 Beleza Cultura

por Bruno Cosentino Conteúdo exclusivo para assinantes

Itcoisa: Galinha de arame

#36 O Masculino Design

por Raphael Nasralla

A Estética da Gambiarra

#26 Delírio Tropical Moda

por Melina Dalboni Conteúdo exclusivo para assinantes

O canto do cisne

#27 Perspectivas Cultura

por André Tassinari Conteúdo exclusivo para assinantes

L’enfer, c’est les autres: mas e se o inferno for estar sozinho?

#21 Solidão Cultura

por Leticia Lima Conteúdo exclusivo para assinantes

Afetocolagens: desconstrução de visualidades negativas em corpos negros

#37 Futuros Possíveis Arte

por Silvana Mendes

  • Loja
  • Assine
  • Encontre

O Amarello é um coletivo que acredita no poder e na capacidade de transformação individual do ser humano. Um coletivo criativo, uma ferramenta que provoca reflexão através das artes, da beleza, do design, da filosofia e da arquitetura.

  • Facebook
  • Vimeo
  • Instagram
  • Cultura
    • Educação
    • Filosofia
    • Literatura
      • Crônicas
    • Sociedade
  • Design
    • Arquitetura
    • Estilo
    • Interiores
    • Mobiliário/objetos
  • Revista
  • Amarello Visita

Usamos cookies para oferecer a você a melhor experiência em nosso site.

Você pode saber mais sobre quais cookies estamos usando ou desativá-los em .

Powered by  GDPR Cookie Compliance
Visão geral da privacidade

Este site utiliza cookies para que possamos lhe proporcionar a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Cookies estritamente necessários

O cookie estritamente necessário deve estar sempre ativado para que possamos salvar suas preferências de configuração de cookies.

Se desativar este cookie, não poderemos guardar as suas preferências. Isto significa que sempre que visitar este website terá de ativar ou desativar novamente os cookies.