Skip to content
Revista Amarello
  • Cultura
    • Educação
    • Filosofia
    • Literatura
      • Crônicas
    • Sociedade
  • Design
    • Arquitetura
    • Estilo
    • Interiores
    • Mobiliário/objetos
  • Revista
  • Entrar
  • Newsletter
  • Sair

Busca

  • Loja
  • Assine
  • Encontre
#3MedoArtigo

Medo

por Léo Coutinho

Modular, de Beatriz Chachamovits

Em 2002, a atriz Regina Duarte provocou polêmica ao aparecer no programa eleitoral do então candidato José Serra dizendo que sentia medo diante da possibilidade de ver o Lula lá e o Brasil tragado por um turbulento retrocesso econômico. Assim como ela, a parcela da sociedade que pode distinguir impressão de estabilidade com estabilidade de fato sofria a mesma sensação. Em função de cinco ou seis crises estrangeiras, o Brasil estava economicamente triste, enfermo, mas, diante do quadro internacional, todos seus índices estavam melhorando. Quer dizer, o remédio amargo que é o tripé do Plano Real estava funcionando: câmbio flutuante, metas de inflação e responsabilidade fiscal.

Levando em consideração que o PT votou contra o Plano Real e contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, qualquer um sentiria medo, e notadamente o mercado financeiro, que, apavorado com a iminente vitória da oposição, sacava seus investimentos brasileiros, agravando a situação. Mas então veio a Carta aos Brasileiros, na qual o ora postulante Lula procurava tranquilizar os esclarecidos, assumindo que muito do que dizia não passava de bravatas e que não mexeria na economia.

Cumpriu o que disse, mas daquele jeito que é possível aos bravateiros. Digo, como nunca foi de oposição, mas sempre “do contra”, quando virou situação ele não sabia apontar um norte para o Brasil. Simples: quem é contra tudo, não é a favor de nada. Assim, uma vez lá lhe restou chamar um tucano banqueiro para o Banco Central e determinar que tudo continuasse como antes.

O resultado é sabido e, depois de oito anos, está refletido na estratosférica popularidade do presidente. Quem disser que a economia está ruim vai arranjar briga com o povo brasileiro, que se transformou em classe C, trocou a geladeira, comprou o primeiro carro e até foi dar um passeio de navio. Porém, com estaleiro construído pelo Plano Real, e com o mundo navegando em mar de golfo (para usar figuras náuticas em homenagem a tantos cruzeiros turísticos), o governo poderia ter colaborado na armação de um transatlântico; porém, tudo o que conseguiu foi entregar uma lancha. Branquinha, bonitinha, satisfatória, mas apenas uma lancha, sem autonomia nem capacidade para nos levar adiante.

Para continuar em termos marinheiros, é só olhar para os portos para ver que não vamos longe: um navio que chega em Santos espera, em média, cinco dias para atracar. Por terra, as estradas do país estão se esfarelando, e a malha ferroviária foi comida pelas traças. Os aeroportos mais parecem arenas do escárnio, sem a menor capacidade de acompanhar o crescimento econômico como está. E, por falar em arenas, é bom sempre lembrar que ainda há quem comemore a vinda da Copa do Mundo e das Olimpíadas. A indústria regrediu um século e se contenta com o papel de fornecedor de matéria-prima para o resto do mundo.

Hoje, às vésperas de outra decisão política, se perguntarem à Namoradinha do Brasil se ela continua com medo, imagino que a resposta seja afirmativa, ainda que a raiz tenha mudado. Assim como todos nós, ela deve querer um Brasil maior e melhor, mas não teme um retrocesso econômico para já. Até porque, quando começam a brincar com a democracia, defendendo controle da mídia, osculando ditadores nos sertões e alhures, forjando dossiês, quebrando sigilos financeiros, debochando das leis vigentes, os mais experientes se apavoram e se distraem de medos menores, porque já viram o filme e sabem que ele não é bonito. Ela própria experimentou a patrulha ideológica de muitos colegas, que depois tiveram que se redimir – mas não se redimiram – quando dos escândalos do mensalão, dos dólares da cueca, dos aloprados, dos churrasqueiros.

O mundo gira, e quem antes se fingia de vítima de preconceito agora semeia o medo para impressionar os mais humildes. Como tudo que há de bom por aí é coisa nova, “nunca antes na história deste país” experimentada, o Bolsa Família não é mais filho do Bolsa Escola, e foi inventado pelo governo atual. Assim sendo, pode acabar de uma hora para outra caso o povo não vote em quem o Lula mandar. Mas, afinal, quem tem medo… do lobo mau?

Gostou do artigo? Compre a revista impressa

Comprar revista

Assine: IMPRESSO + DIGITAL

São 04 edições impressas por ano, além de ter acesso exclusivo ao conteúdo digital do nosso site.

Assine a revista
Compartilhar
  • Twitter
  • Facebook
  • WhatsApp

Conteúdo relacionado


A mulher na História do Brasil: a grande estrutura invisível

#28 O Feminino Cultura

por Jorge Caldeira Conteúdo exclusivo para assinantes

Portfólio: Antônio Sobral

#24 Pausa Arte

por Marília Loureiro Conteúdo exclusivo para assinantes

Suave também é a felicidade

Cultura

por Leticia Pinheiro Lima

Libertação através da imagem

#36 O Masculino Arte

por Willian Silveira Conteúdo exclusivo para assinantes

Tatuagem: algumas origens

#7 O que é para sempre? Cultura

por Henrique Fogaça Conteúdo exclusivo para assinantes

Os filmes por trás do diretor

#19 Unidade Arte

por Willian Silveira Conteúdo exclusivo para assinantes

Amar e contar com o outro: aprendendo a construir vínculos

#46 Tempo Vivido Sociedade

por Lilian Junqueira Conteúdo exclusivo para assinantes

Para o raio que o parta

#12 Liberdade Cultura

por Vanessa Agricola Conteúdo exclusivo para assinantes

Do que é feita uma democracia participativa?

Cultura

por Revista Amarello Conteúdo exclusivo para assinantes

Desenredando sexo e gênero

#28 O Feminino Cultura

por Amanda Lee Mascarelli Conteúdo exclusivo para assinantes

Souvenires

#7 O que é para sempre? Arte

O mercado de arte como espaço de luxo e desafios à diversidade

#53 Mitos Artes Visuais

por Carla Oliveira Conteúdo exclusivo para assinantes

  • Loja
  • Assine
  • Encontre

O Amarello é um coletivo que acredita no poder e na capacidade de transformação individual do ser humano. Um coletivo criativo, uma ferramenta que provoca reflexão através das artes, da beleza, do design, da filosofia e da arquitetura.

  • Facebook
  • Vimeo
  • Instagram
  • Cultura
    • Educação
    • Filosofia
    • Literatura
      • Crônicas
    • Sociedade
  • Design
    • Arquitetura
    • Estilo
    • Interiores
    • Mobiliário/objetos
  • Revista
  • Amarello Visita

Usamos cookies para oferecer a você a melhor experiência em nosso site.

Você pode saber mais sobre quais cookies estamos usando ou desativá-los em .

Powered by  GDPR Cookie Compliance
Visão geral da privacidade

Este site utiliza cookies para que possamos lhe proporcionar a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Cookies estritamente necessários

O cookie estritamente necessário deve estar sempre ativado para que possamos salvar suas preferências de configuração de cookies.