#5TranseCrônica

Corpo em Transe

por Nuria Basker

de Fábio Gurjão Nos pés descalços está a origem. Do contato com o solo recebo impulsos generosos que sobem como flechas até minha cabeça. O que digo? Não são flechas e sim serpentes sinuosas. Os joelhos tremem limpando o ranço dos passos errados. Na batida dos quadris, olhares se desconfortam, se expõem, terremoto incontido que une ritmo e libido. Ao cruzar a sala, os giros abstratos mostram sua função: deslocar grandes porções de sedimentos. No ventre, várias respostas, todas se apresentando em sequências de ondas. Eu só quero dançá-las, não quero entendê-las. Estou cansada de tudo que está acima de meu pescoço. Quero braços como hélices que me afastam do que não é melodia. Quero ombros e cotovelos que se movam por si só. Entro no transe da dança e meus olhos ficam virados para dentro. Mergulho ao contrário. Persigo as ondas sonoras com a matéria de meu corpo. Quero…

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