Portfólio: Daisy Xavier A arqueologia da perda, de Daisy Xavier, surge como uma operação a um só tempo formal e existencial. Ora, a arte, em geral, seria sempre isso. Sim, mas existem casos nos quais tal vínculo surge de maneira mais evidente. E este é um desses momentos. Toda realizada a partir da apropriação de móveis antigos, espécie de legado, a série de esculturas é fruto do gesto de desmembrar um mobiliário e, a partir destes fragmentos de uma memória que poderia permanecer paralisada, colocar a mesma em movimento, assim instaurando um destino inaudito. O que vemos são peças simultaneamente fortes e frágeis. Delicadas, mas sólidas na sua fatura. Assimétricas, como que resultado de uma escrita automática, mas cientes de onde querem chegar ou ao menos de onde devem parar. Em algumas delas vidros azuis fazem a vez de elo, aquilo que cria o vínculo, em outras aparecem como apoio.…

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