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#24PausaEditorial

Editores convidados: Yentl e Peèle

Foi até engraçado quando recebemos o gentil e instigante convite para sermos editores convidados desta edição. Pausa não era uma palavra que ligávamos diretamente ao curso de vida que tomamos nos últimos anos. Pausa, no imaginário, lembra sossego, silêncio, calmaria, e nossa história lembra mais o contrário do que a essência dessa tríade.

Cinco anos, cinco cidades, dois países distintos. São Paulo, South Beach, Los Angeles, Inhotim, Catuçaba. Trabalhamos contra a inércia quando tudo fazia sentido, mas não fazia sentir. Pausamos ciclos de adaptação bem-sucedidos, planos de carreira e anuidades pagas com a ilusória garantia de que, daquela vez, era pra ficar. Ficar significaria encontrar. E, daí (alívio), pausar a tal busca, a tal saciedade da inquietação, a tal curiosidade pelo horizonte ainda desconhecido.

Mas o processo de pensar na edição nos ensinou a ressignificar o pausar. Se nossas pausas não foram para sossegar, foram para desritmicar, tropeçar, descarrillhar. Pausar foi mudar, invariavelmente. Todas as mudanças que, consciente e inconscientemente, nos demos ou que nos foram dadas desenharam um lindo mapa de navegação… As pausas foram curvas em vidas que começavam a andar em linha reta e que, por isso, deixavam de pegar atalhos, caronas, novas paisagens, destinos-surpresa…

O fato é que seguimos nos permitindo pausar e mudar de rumo. Só que agora, nessa fase, são pausas no micro, no cotidiano. Pausas em tempo e espaço.

Nossa última chegada geográfica foi na roça.

A curva foi aberta, tão aberta que quase nem percebemos que estávamos mudando – pausando. Foi quando chegamos e ficamos…

A pausa foi no pouso. Catuçaba, antigo Pouso do Chapéu.

No século dezoito, o isolado vilarejo, que se encontra no entroncamento do rio do Chapéu com o córrego da Queimada, era lugar de pausa para os tropeiros que, a cada 25 quilômetros, paravam para hidratar suas mulas e descansar do trabalho. Nosso pouso foi nesse mesmo lugar. Só que nossa retomada do trabalho não foi como a deles, que era seguir na estrada. Nosso trabalho (tempo e movimento) passou a fazer mais sentido se feito aqui, para aqui.

A cidade pequena, a rotina e o tempo rural, a conexão com os ciclos, o entendimento da dependência e da autonomia dos elementos; a liberdade atrelada à responsabilidade, o prazer atrelado ao trabalho; a complexidade atrelada à simplicidade, a vida atrelada à morte.

A roça, para nós, era o ambiente que poderia ser escola e laboratório, onde os valores, que cada vez mais reconhecemos como os contemporâneos de um futuro bem próximo, poderiam ser aprendidos, aperfeiçoados, exercitados. Valores éticos, estéticos, ecológicos, processuais, que nos ajudam a afinar nosso olhar e a termos o espírito aguçado para reconhecer, atrair e criar as oportunidades que queremos abraçar.

A possibilidade de nos reconectar não só com a natureza mais selvagem, mas com a nossa segunda natureza, que é a cultura, a tecnologia… Do fogo que cozinha, mas que também destrói, ao Wi-Fi que conecta, mas que também pode alienar. O encontro do equilíbrio, do potencial e do respeito com esses elementos é um bonito exercício de constante consciência, presença e responsabilidade.

Porque a vida da roça está longe de ser pausa – a roça nunca pausa! Ela é viva. A vida genuína nela exige uma dança constante – até mesmo nos momentos de ócio. O engraçado, de novo, é que, se a gente dança com ela direitinho, respeitando o passo e a coreografia, a ansiedade e a preocupação ficam mais brandas. E talvez aí esteja um cheiro daquela pausa que antes a gente não sabia que vivia: há espaço e tempo pra contemplação, respiro e espera.

Uma vez, passando de carro pela estradinha de terra que fica aqui em frente de casa, paramos para oferecer carona a Dona Cecília, que vende os ovos das galinhas que cria. Ela caminha (às vezes descalça, por pura preguiça de andar de chinelo), diariamente, uns dez quilômetros, trazendo os ovos e seus quase oitenta anos de vida. E nunca aceita carona.

Vai, Dona Cecília, chega aí. Estamos indo pra vila. A gente te leva, vai… “Brigada, meu fí. S’eu pegar carona, vô chegá muito cedo.”

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