#22DuploCulturaSociedade

É comigo?

por Helena Cunha di Ciero

Na faculdade de Psicologia havia um exercício estranho: fazer careta em frente ao espelho e olhar fixamente para nossos próprios olhos até que surgisse alguma sensação. Depois dividíamos com o grupo quais teriam sido os sentimentos comuns, estranhamento e medo – lembro que foi unânime. E foi uma surpresa saber que encarar o rosto mais familiar pode ser também amedrontador.É comum ouvir a frase “não consigo nem me olhar no espelho” quando estamos diante de alguém angustiado. A figura do lado de lá afronta, anuncia uma dor que passa o dia escondida, maquiada, que traz à luz a marca do tempo, culpas, temores, fracassos. Ela sabe de tudo. Reflete como me sinto. Mas o espelho não é só de vidro. Pode ser de gente.Projetamos o tempo todo. É uma forma de rejeitar – para fora – aquilo que somos, de atribuir ao outro algo que nos pertence. Por quê? Para…

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