#30IlusãoCulturaLiteratura

Colóquio dos cavaleiros

por Ana Rovati

Suponhamos que, numa de suas noites insones, em meio ao bosque ventoso e ao murmúrio de um riacho, com o corpo moído das pelejas dos dias, mas altaneiro na ânsia de espalhar seu renome para além das fronteiras do mapa e do tempo, o engenhoso Dom Quixote de la Mancha, vulgo cavaleiro da triste figura, proclamasse à escuridão que se sagrou cavaleiro para lutar pela justiça no mundo e para amar de amor cortês a sua dama Dulcineia de Toboso; e que as palavras ecoadas no ar obscuro se condensassem num torvelinho faiscante, de onde partisse um relâmpago a fulminar a entrada de uma gruta ao pé da montanha, em cujo interior se encontrassem os ossos e a armadura de um cavaleiro derrotado numa batalha, mas que ferido cavalgara até a Mancha para lá morrer. O ser espectral saído do relâmpago entra na caverna, chacoalha a couraça, limpa-a dos restos…

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