Skip to content
Revista Amarello
  • Cultura
    • Educação
    • Filosofia
    • Literatura
      • Crônicas
    • Sociedade
  • Design
    • Arquitetura
    • Estilo
    • Interiores
    • Mobiliário/objetos
  • Revista
  • Entrar
  • Newsletter
  • Sair
  • Facebook
  • Vimeo
  • Instagram

Busca

  • Loja
  • Assine
  • Encontre
#16RenascimentoArtigo

Portfólio: Felipe Cohen

Com Felipe Cohen cai por terra o mito da experiência direta. Suas colagens, esculturas e instalações exploram a subjetividade, demonstram o quanto a consciência contribui para cada contato com as coisas ditas reais. Em face das sombras de mármore negro, dos desenhos montados com papéis e de reflexos enganadores, para ver é preciso pensar. Seria essa a verdade sobre toda experiência? Será que a percepção é mais uma construção intelectual do que a impressão do mundo sobre nossas mentes?

Não somos autores de tudo o que nos cerca nem podemos esco-lher o que aparece ao abrir os olhos, mas o pouco que sabemos resulta da nossa própria atividade. O que existe entre as obras de arte e meras coisas senão um ato livre da vontade de ver e fazer? Pelos trabalhos de Felipe Cohen somos forçados a lidar com uma alternância entre sentido e matéria. O contraste dessas duas categorias está na origem de todas as imagens e obras de arte.

Se entre as coisas do mundo não existe explicação para a autonomia da vontade humana e causas metafísicas não nos satisfazem, então reside só na consciência a razão pela qual agimos livremente em determinadas ocasiões, quando o fazemos por dever sem tentar obter algo em troca. A arte sempre teve forte ligação com a capacidade humana de agir, pensar e sentir desinteressadamente, o que foi percebido pelo filósofo Immanuel Kant (1724-1804), cujas ideias tangenciamos. Uma boa ação é bela, ainda que trágica.

Embora a afinidade do kantismo com a arte moderna tenha propiciado uma justificativa para a abstração (como forma “pura”), Felipe Cohen constrói e desconstrói figuras mani-pulando o próprio espaço como se fosse plástico, moldável. É possível ver beleza em quaisquer objetos, sejam eles sacolas plásticas, copos, garrafas, sombras, um galho seco ou caixas de papelão. 

Belas são as relações espaciais e as forças que determinam essas relações e não as coisas em si mesmas, que permanecem inapreensíveis no interior dos trabalhos. A sacola plástica deixa de ser uma coisa banal e converte-se no tênue ponto de equilíbrio entre pesos de mármore. O mesmo ocorre com o confete, torna-se a marca de uma força que perfura a pedra.

Em algumas colagens, é difícil identificar a figura dos objetos no feixe de formas que pode lembrar uma pintura de Malevich. Nas outras, um jogo livre entre realismo e imaginação sugere a analogia com Magritte. Então, ao se aproximar do trabalho, vê-se que não há tela, desenho ou pintura, mas uma montagem de papéis selecionados pelo artista para obter uma impressão de espaço. 

Como se os “papéis cortados” de Matisse fossem rea-lizados por um pintor renascentista que empregasse todo o seu engenho para criar um espaço ilusório de acordo com os rígidos preceitos da perspectiva geométrica!

Em Matisse tudo se acomoda com leveza na dança de formas e cores que transfigura o espaço. Felipe Cohen, por sua vez, exige que cada coisa tenha um peso, não pelo que vale nela mesma, mas pelo trabalho de pensá-la.

Gostou do artigo? Compre a revista impressa

Comprar revista

Assine: IMPRESSO + DIGITAL

São 03 edições impressas por ano, além de ter acesso exclusivo ao conteúdo digital do nosso site.

Assine a revista
Compartilhar
  • Twitter
  • Facebook
  • WhatsApp

Conteúdo relacionado


Destino

#49 Sonho Literatura

por Surina Mariana

Proud South: o futuro é agora e está no Sul

Na capa: Antonio Sobral

#24 Pausa

O patriarcado e os arquétipos do masculino

#36 O Masculino

por Lígia Ito Conteúdo exclusivo para assinantes

O Brasil delirante e seu mito racista

#43 Miragem

por Ynaê Lopes dos Santos

Mirar o Brasil para além do sincretismo: o vasto horizonte de palavras e práticas

#39 Yes, nós somos barrocos

por Celso Francisco Gayoso Conteúdo exclusivo para assinantes

Editor convidado: Eduardo Wolf

#16 Renascimento

por Eduardo Wolf

A morte do encontro

#21 Solidão

por Anthony Ling Conteúdo exclusivo para assinantes

ZHǓNBÈI XIÀNG ZHŌNGFĀNG SHĒNGHUÓ FĀNGSHÌ

#4 Colonialismo

por Antonio Biagi Conteúdo exclusivo para assinantes

Nós somos o amanhã

#33 Infância

por Mãeana

Amarello Visita: Nati Canto

#53 Mitos Amarello Visita

por Tálisson Melo Conteúdo exclusivo para assinantes

Portfólio: Theo Craveiro

#10 Futuro

por Silas Martí Conteúdo exclusivo para assinantes

  • Loja
  • Assine
  • Encontre

O Amarello é um coletivo que acredita no poder e na capacidade de transformação individual do ser humano. Um coletivo criativo, uma ferramenta que provoca reflexão através das artes, da beleza, do design, da filosofia e da arquitetura.

  • Facebook
  • Vimeo
  • Instagram
  • Cultura
    • Educação
    • Filosofia
    • Literatura
      • Crônicas
    • Sociedade
  • Design
    • Arquitetura
    • Estilo
    • Interiores
    • Mobiliário/objetos
  • Revista
  • Amarello Visita

Usamos cookies para oferecer a você a melhor experiência em nosso site.

Você pode saber mais sobre quais cookies estamos usando ou desativá-los em .

Powered by  GDPR Cookie Compliance
Visão geral da privacidade

Este site utiliza cookies para que possamos lhe proporcionar a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Cookies estritamente necessários

O cookie estritamente necessário deve estar sempre ativado para que possamos salvar suas preferências de configuração de cookies.