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#44O que me faltaCultura

Itcoisa: chá da obatian

por Raphael Nasralla

Segundo uma lenda clássica, o imperador chinês Shennong descobriu o chá por acaso, por volta do ano 2737 a.C. Foi quando, ao se sentar para beber um copo de água quente, uma brisa suave soprou folhas de chá para a bebida, alterando a cor e o gosto do líquido. O imperador bebeu um gole e pensou “isto não é mau!”, e assim, simplesmente, surgiu o chá.

Embora, no Brasil, qualquer infusão seja popularmente chamada de chá, a definição correta diz que ele é feito a partir da infusão da planta Camellia sinensis.

A relação do Brasil com a bebida começou em 1812, com a coroa portuguesa, mas foram os japoneses, tradicionais apreciadores da bebida, os responsáveis pelas grandes plantações no país, especificamente no Vale do Ribeira, em São Paulo. Na década de 1980, auge da produção e da economia do chá, existiam mais de 40 fábricas na região.

Hoje, restam não mais que três produções de chá. Uma delas é o Obatian, único chá preto artesanal, colhido à mão, no país. Em japonês, o termo significa “chá da vovó”. Neste caso, quem está por trás do Obatian é Ume Shimada, de 89 anos. Depois do viver os tempos áureos da bebida no Brasil, Shimada resgatou a plantação e aperfeiçoou as técnicas a fim de produzir um chá orgânico e de agricultura familiar.

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