Skip to content
Revista Amarello
  • Cultura
    • Educação
    • Filosofia
    • Literatura
      • Crônicas
    • Sociedade
  • Design
    • Arquitetura
    • Estilo
    • Interiores
    • Mobiliário/objetos
  • Revista
  • Entrar
  • Newsletter
  • Sair
  • Facebook
  • Vimeo
  • Instagram

Busca

  • Loja
  • Assine
  • Encontre
#4ColonialismoCrônica

Brasil colônia

por Nuria Basker

Ó Ditinha, que cheiro é esse? É meu cheiro mesmo, tal e qual, ô sinhô. Ó Ditinha, que eu fico louco. Fica, não, sinhô, que sinhá num vai gostá. Ó Ditinha, é lá de fora ou daí de dentro esse cheiro de flor que tomou chuva, de doce que acabou de fazer? É meu cheiro mesmo, tal e qual, sinhô. Ó Ditinha, que eu fico louco. Fica, não, sinhô, que sinhá vai zangá. Esse cheiro, esse cheiro, vem ligeiro, ó Ditinha. Óia meu sinhô, que eu tenho que confessá, pra arriba de tudo, aqui no cangote, botei duas gota da colônia de minha sinhá. Ó Ditinha, mas ademais do seu cheiro e do cheiro de colônia francesa, que mais que lhe deixa assim, com esse aroma meio fruta que se come, meio vento que se escolhe? Ô sinhô, que eu tenho que confessá, ainda não fui no rio me banhá, e passô por mim um português que deixô cheiro lá do mar. Ó Ditinha, que esse português cobriu suas vergonhas embaixo do meu nariz? Foi sim, sinhô, e também o meu nego Anastácio, que tem cheiro de mato, de caça e de mau trato. Ditinha, Ditinha, olha que eu lhe bato. Bate, não sinhô, que senão meu cheiro mistura com vermeio e eu sujo tudo, até pano de prato. Ditinha, esse cheiro, esse cheiro. Ô sinhô, esqueci de mencioná, tem também o índio matreiro, que gostava de brincá, e me levou na taba, na rede e na floresta pra mó de me enfeitá. Ditinha, Ditinha, esse índio safado deu de cacique em meu reinado? Foi, sim, sinhô, e também o cafuzo Rozildo que me benzeu com água de rosa e me defumô com capim santo pra mó de me perfumá. Deu no que deu, Ditinha, esse seu cheiro confuso tá melhor que a colônia de sinhá. Ô sinhô, ô sinhô, num fala assim que sinhá num vai gostá. Ande, Ditinha, vamos ali no quarto que sinhá foi comprar novidade do turco, ao pé do Jacarandá. Vô, não, sinhô, que agora tenho que misturá tudo lá no fogão e botá pra arriba de mim o cheiro preto do carvão. Ó Ditinha, deixa disso, que num instante eu boto meu cheiro na sua pele, por dentro e por fora. Vô, não, sinhô, que despois de me cafungá, a sinhá vai brigá (Ditinha é que vai apanhá). Eu tô mandando, Ditinha, não tem que-não, nem mas-quê. Ô sinhô, ô sinhô, que essa minha vida é só de dô e odô. Ó Ditinha, ó Ditinha, esse cheiro é rio e taba, fruta e doce, mato e trato, carvão e rosa. Ó Ditinha, vem comigo lá pra dentro que minha colônia é vosmecê.


Nuria Basker é uma escritora brasileira, de ascendência italiana, nome árabe-anglo-saxão e alma xavante-nagô.

Gostou do artigo? Compre a revista impressa

Comprar revista

Assine: IMPRESSO + DIGITAL

São 03 edições impressas por ano, além de ter acesso exclusivo ao conteúdo digital do nosso site.

Assine a revista
Compartilhar
  • Twitter
  • Facebook
  • WhatsApp

Conteúdo relacionado


o ponto

#51 O Homem: Amarello 15 anos Literatura

por Bruno Cosentino Conteúdo exclusivo para assinantes

Itcoisa: Lama negra de Araxá

#38 O Rosto

por Raphael Nasralla

Masahisa Fukase e a poética da desintegração

#50 Família Fotografia

por Revista Amarello Conteúdo exclusivo para assinantes

De ontem para hoje já era amanhã

#40 Demolição

por Pedro França

Distância de contato

#35 Presente

por Francesca Cricelli

Eu preciso destas palavras escritas

#3 Medo

Madureira, território barroco: escolas de samba e lugar de fala

#39 Yes, nós somos barrocos

por Mauro Sérgio Farias Conteúdo exclusivo para assinantes

O Amor: Uma breve História

#8 Amor

por Leticia Pinheiro Lima

Geração ansiedade e a crise do mundo adulto

Sociedade

por Revista Amarello Conteúdo exclusivo para assinantes

Eu tenho medo de chuva: desastre natural ou racismo ambiental?

#42 Água

por Pâmela Carvalho Conteúdo exclusivo para assinantes

Café, água e bolacha por Bruna Albuquerque

#22 Duplo

por mA.tO Conteúdo exclusivo para assinantes

A todas as mulheres do fim do mundo: Elza Soares, territórios negros e demolições

#40 Demolição

por Pâmela Carvalho Conteúdo exclusivo para assinantes

  • Loja
  • Assine
  • Encontre

O Amarello é um coletivo que acredita no poder e na capacidade de transformação individual do ser humano. Um coletivo criativo, uma ferramenta que provoca reflexão através das artes, da beleza, do design, da filosofia e da arquitetura.

  • Facebook
  • Vimeo
  • Instagram
  • Cultura
    • Educação
    • Filosofia
    • Literatura
      • Crônicas
    • Sociedade
  • Design
    • Arquitetura
    • Estilo
    • Interiores
    • Mobiliário/objetos
  • Revista
  • Amarello Visita

Usamos cookies para oferecer a você a melhor experiência em nosso site.

Você pode saber mais sobre quais cookies estamos usando ou desativá-los em .

Powered by  GDPR Cookie Compliance
Visão geral da privacidade

Este site utiliza cookies para que possamos lhe proporcionar a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Cookies estritamente necessários

O cookie estritamente necessário deve estar sempre ativado para que possamos salvar suas preferências de configuração de cookies.