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#25EspaçoCulturaLiteratura

Retardo Espacial

por Vanessa Agricola

Algum lugar no meu cérebro, onde os caminhos ficam gravados – eu acho que eu não vim com esse lugar no meu cérebro. Estou no carro agora; vim dar uma volta com meu filho para ver se ele dorme. Saí de casa na Francisco Isoldi, a esmo, e eu nem te conto onde é que estou. Daqui a pouco, chegaremos na Mooca, e eu não sei voltar para casa da Mooca.

Na época da faculdade, voltando para uma outra casa, que ficava no Morumbi, fui parar no McDonald’s da Imigrantes. Minha mãe me avisou de manhã, Vanessa, volta pela Marginal hoje à noite, porque vai ter jogo, e lá fui eu pela Marginal. Não sei como entrei na Bandeirantes, aí fui indo, fui indo, paguei pedágio, comecei a chorar.

Minha grande explicação, para mim mesma, é que eu ainda não sabia dirigir direito naquela época, e fiquei com medo de fazer os retornos, sabe? Quando você começa a dirigir e tem medo de subir ladeiras, fazer retornos – essa é minha grande desculpa. Mas e hoje, eu aqui na Mooca? A Vivo cortou minha internet, me deixou sem mapa. Essa cliente, essa Vanessa, vamos cortar a internet dela, hahaha! Devia ser assim a propaganda da Vivo, empresa sem alma.

Mas, só por hoje, Vivo, eu te perdoo. Ficar sem mapa é bom para eu lembrar que sou uma pessoa espacialmente retardada – justo o retardo que mais me preocupa em mim mesma. Eu, que andava me achando evoluída, porque estou fazendo ginástica e escutando o Prem Baba no YouTube, e o Prem Baba tem me ensinado que tudo bem a gente ter defeitos, que faz parte do evoluir diagnosticar e aceitar o que somos. E a Vivo me lembrou que eu não aceito esse meu retardo.

Outro dia, alguém me falou, “ali na Major Sertório”, e eu fiquei pensando… “Ali do lado de onde vocês moravam!”. Eu me odeio por não ter lembrado da rua Major Sertório. Eu trabalhei na rua Major Sertório. Como que alguém me diz “Major Sertório” e eu fico pensando? Por que junto do meu retardo, da disfunção do registro fotográfico das ruas e esquinas de São Paulo e de qualquer lugar, eu tenho também o retardo dos nomes das ruas, das coisas e das pessoas, Prem Baba?

Filho, calma. Daqui a pouco a gente chega. Quer ouvir o Pedro e o Lobo? Com a Rita Lee ou o Roberto Carlos? Droga, não está pegando. Vamos ter que escutar a rádio, Antônio. Porque a internet não está funcionando, filho. O Pedro e o Lobo está na internet, entendeu? Mas escuta essa música, Amy Winehouse. Não gostou? Antônio, não seja chato. Não tem Seu Lobato, filho.

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