#5TranseCulturaSociedade

O Talento é o Transe

por Carlos Andreazza

transe com camisinha. Conta-se que Pelé, antes de um match importante, costumava isolar-se a um canto do vestiário. Sozinho, em silêncio, era como se dormisse. (Pelé se afastava e todos já sabiam, todos respeitavam – alguns decerto que por pura e feliz conveniência: aquele momento de ausência do rei era prenúncio de presença decisiva adiante, ao rolar da bola, e garantia de “bicho” depois)… Uma hora antes do jogo, portanto, deitado por quinze ou vinte minutos, entregava-se, “apagava-se”. Dirão alguns que entrava em transe; e não terei mesmo como contestá-los.Transe, sim; mas, que transe? – eis o meu ponto.Pelé alcançava, estou de acordo, um outro estado de consciência; havia nele, com efeito, uma transição de intensidade cerebral, um deslocamento-fermentação de frequência mental, mas – atenção – não no sentido [vulgar, se o leitor me permite] consagrado e massacrado pelo senso comum: em vez de acercar-se do tal subconsciente [esta palavra…

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