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#7O que é para sempre?CrônicaCulturaSociedade

Eu poderia apenas dizer que sim

por Ana Bagiani

“Apesar de você, amanhã há de ser outro dia”. Apesar do Chico Buarque, de você e de mim, amanhã será outro dia. Apesar do Brasil, do Carnaval, do Natal, da guerra nos países árabes e até da paz mundial, amanhã será outro dia. Apesar dos anos, das décadas, da moda, dos terremotos e da tecnologia, o amanhã chegará. Apesar ainda do reino dos céus, da terra prometida, da ressurreição dos mortos, da vida eterna (amém), da Cinderela e do paraíso, o sol vai nascer a leste e brilhará absoluto no centro de nosso universo. E este sim, o sol, embora às vezes encoberto por nuvens, fumaça ou desgraça, despontará a cada novo dia.

Poderia dizer apenas que sim, há um infinito de possibilidades para além de nossos olhos. Que, assim como o horizonte, o que enxergamos é quase uma ilusão do limite inexistente. Também poderia dizer que, condição inerente, inexorável e irrenunciável da existência, a morte (e seu mistério) é o propulsor fundamental da vontade de viver, aquilo que torna a vida preciosa, única. Mas o que posso e vou afirmar é que, pensando no que é para sempre, só me vem à mente o que não é. Talvez minha dinâmica seja a da negação. Talvez minha lucidez seja minha maior condenação.

Diante da soberania e do esplendor do magnífico astro-rei, o que dizer da mínima e insignificante trajetória de uma vida? Hoje, 2011, acompanhamos em velocidade vertiginosa a evolução da criação da vida. E em outro canal da TV, simultaneamente, há um especial sobre a degradação de povos inteiros. Populações dizimadas, abandonadas à própria sorte, fruto da maior das mazelas: o esquecimento. Na verdade, não é privilégio dos nossos tempos a convivência de grandes avanços e enormes retrocessos. Há mais de quinhentos anos o homem europeu deu um grande salto evolutivo ao vencer o medo, superar o mar e chegar ao novo mundo. Mas este mesmo homem cometeu o maior genocídio da história. Exterminou tribos inteiras, e toda uma cultura se perdeu para sempre. Meu ponto é que, para o homem, não há limites. No que diz respeito a seus interesses, é incansável, invencível, destemido, egoísta. Até que um dia ele, este homem poderoso e absoluto, morre. Ele também morre, assim como tantos outros que morreram em seu nome ou pelas suas mãos. Herói, vilão. Tutancamon, Herodes, Siddartha, David, Moisés, Alexandre – o Grande, Julio Cesar, Jesus, Maomé, Tancredo, John Kennedy, John Lennon, Hitler, Lenin, Stalin, Fidel (ops!) – todos mortos. E, dentro de alguns anos (muitos, espero), você, leitor, e eu também estaremos.

Posto isso, a cabeça viaja em busca de sentido. O coração arrefece e logo tenta pulsar mais forte, como se quisesse garantir o bombeamento de sangue para sempre. Ah, coração… eu também queria que fosse assim. Mas não é. Então, o quê? O que habita nosso corpo que não seja perecível? O que é que há, para além do óbvio, que nos faz pensar em eternidade? Que poder é esse de ver, sentir, ouvir aquilo que já não mais existe? Seriam sinais de uma dimensão desconhecida, ou o simples desejo de ser imortal?

Contrariando todas as religiões, esoterismo e bruxaria, aposto na mente. No grande e desconhecido abismo que é o cérebro humano. O universo pessoal de cada um – sua mente – é um pedaço do grande painel holográfico em que consiste o planeta. Holografia é o princípio do todo em cada parte e, assim como o DNA (o código que nos define como somos), cada um de nós pode conter o universo, o todo. Nosso aproveitamento cerebral é baixíssimo, e um dos que melhor o utilizou desenvolveu uma teoria revolucionária para toda a história. A teoria da relatividade de Einstein abriu um caminho nunca antes imaginado e propôs possibilidades até então completamente ignoradas. Se as relações entre espaço, tempo e matéria não são mais absolutas, muitos fenômenos “sobrenaturais” podem ganhar status de eventos físicos. Assim como o bater de asas de uma borboleta na Ásia pode reverberar sobremaneira e se transformar em um tufão na América, as ondas de um som emitido há décadas, por se propagarem ininterruptamente, poderiam fazer este mesmo som ser ouvido hoje em algum lugar. Não se pode ainda comprovar. Tampouco duvidar.

Mas o que há em comum entre cada parágrafo acima é o que importa para este momento. Sim, acredito que haja algo que dure, que permaneça. Não sei se para sempre, até porque o próprio sol – fonte inspiradora para este devaneio – também pode um dia se extinguir. Mas há, de fato, uma coisinha que passa por todos os instantes, que faz com que cada coisa aconteça, inclusive este texto: a energia. E este é o ponto, a energia, seja ela do sol, da minha voz, de uma cachoeira, da dança dos índios, da música dos Beatles, do salto de um gato, da fúria do mar, da vida de um inseto, de uma planta que brota, de um bebê que nasce, de alguém que morre – esta fica. A energia que vem da transformação das coisas. De cada pequena coisa. De cada pequena coisa da grande coisa. De bom ou de ruim. Do choro e do riso. Da ação e da reação. Do gozo ao entorpecimento. Da explosão inicial ao fim de tudo. Do momento da concepção ao suspiro derradeiro. De mim e de você.

Em última instância, somos todos energia. Chame-a como quiser. Pra mim, é inconsciente. Não tem nome nem pronome pessoal. É atemporal. É o que faz com que me sinta comum, soberana, divina, profana. É o que é.

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