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Pintura Íntima

por Hermés Galvão

No início era o amor pela ideia. Depois, a paixão por quem estava atrás dela. Mas desde sempre houve intimidade entre as partes interessadas, algo sensorial que aproximava criaturas e criadores. Rolava um clima, por assim dizer. Era pura troca. De um lado o patrono. De outro, o artista. E entre eles, além de muito dinheiro, bastante diálogo. Funcionou bem de Isabella d’Este, primadona do Renascimento, até Peggy Guggenheim, que, a partir da Segunda Guerra, diluiu o mecenato ao concubinato estrelando a maior fotonovela artsy-erótica de que se tem notícia. Serial lover, sadomasô, avarenta e adunca como um rosto de Guernica, colecionou obras grandiosas e homens grandiosos, escritores, pintores e escultores. Da parede da sala para o quarto, da mesa de cabeceira até a cama, e vice-versa, com Laurence Vail, Kay Boyle, John Holms, Samuel Beckett, Marcel Duchamp (há controvérsias) e, tcharan!, Max Ernst, Peggy fez de seu Palazzo Venier…

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