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Proust e a catedral da memória

por Eduardo Wolf

No prefácio à edição inglesa do enciclopédico Les Lieux de Mémoire, o historiador e organizador do volume Pierre Nora define um lieu de mémoire como “qualquer entidade significativa, seja de natureza material ou imaterial, que por força da vontade humana ou da obra do tempo tornou-se um elemento simbólico da herança memorial de qualquer comunidade”. É possível que exista algo de único na expressão francesa, traduzida para o inglês como “realms of memory”, e que em português ganhou versão literal mesmo. É certo, no entanto, que a obra de Marcel Proust (1871-1922), Em Busca do Tempo Perdido, é um exemplar par excellence desses “lugares de memória”.E não apenas para a comunidade francesa. Se em 1908 encontramos um Proust inseguro, que se perguntava “se era um romancista”, já em 1913, com a publicação do primeiro volume de sua obra, No Caminho de Swann, começava o autor a entrar na grande corrente…

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