#21SolidãoCulturaLiteratura

Um tesouro esquecido

por Shogyo Gustavo Pinto

“Quero ser sozinho. Já disse que sou sozinho! Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!” Lisbon Revisited (1923), de Álvaro de Campos As palavras quase gritadas nos versos que Álvaro de Campos, o heterônimo, “ditou”, em 1923, a seu escriba, Fernando Pessoa, soam com extrema atualidade hoje quando celulares apitam e os cães de Pavlov em que nos convertemos salivam rápido a atender seu tirânico Senhor.Perdemos um tesouro, e nem temos consciência de quanto nossas vidas se empobreceram. Perdemos o prazer de estar a sós. A solidão, bênção que nossos antepassados souberam cultivar, tornou-se palavra de conotação quase pejorativa.É sublime, evidente e inegável a maravilha da companhia dos seres amados, cuja presença ilumina nossas vidas, mas sua ausência é desafio maior ao humano coração. Os entes queridos têm o dom de nos alegrar só por se fazerem presentes.Esquecemos, porém, de que há maravilhas opostas, e complementares, o que…

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