#22DuploCulturaLiteratura

Os outros

por Ananda Rubinstein

Não saio da cama. Tenho me alimentado basicamente de shakes proteicos, cápsulas vitamínicas e sorvete de caramelo. Assisto a todos os Truffauts e Godards me sentindo a última das mortais – o que não é tão absurdo, já que é cada vez maior o número de pessoas rumando para a imortalidade. As Kardashians, dizem, já chegaram lá.Conheci Leo há alguns anos. Ele me seduziu com sua afetividade explícita, sua preocupação com tudo ao seu redor e comigo. Aprendi a ser ligeiramente mais otimista com ele, a aceitar a impermanência, a achar graça no óbvio. Subíamos montanhas e acampávamos em planaltos vastos. Ele lia histórias para mim, escrevia poesia ruim, cantava na chuva. Fomos felizes por dezesseis meses.Leo foi uma paixão sinuosa que nunca passou. Eu ainda acreditava na possibilidade de reconquistá-lo quando fui morar no prédio em que ele vivia, no Centro. O apartamento dele era o 161; o meu,…

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