Skip to content
Revista Amarello
  • Cultura
    • Educação
    • Filosofia
    • Literatura
      • Crônicas
    • Sociedade
  • Design
    • Arquitetura
    • Estilo
    • Interiores
    • Mobiliário/objetos
  • Revista
  • Entrar
  • Newsletter
  • Sair
  • Facebook
  • Vimeo
  • Instagram

Busca

  • Loja
  • Assine
  • Encontre
#11SilêncioCulturaLiteratura

Silêncio! Silêncio, por favor, silêncio!

por Caito Ortiz

Quem pede silêncio pressupõe autoridade. O silêncio como forma de educação sublime, como forma de disciplina, de elevação espiritual.

Ele achava impossível fazer silêncio: “o que fazer, nasci barulhento…” Falou alto desde sempre. E muito. Sua avó dizia para as amigas que ele morava atrás da cachoeira; por isso, o pobrezinho falava tão alto. Era feliz. Cresceu e descobriu o rock’n’roll. Tocou discos, fitas K-7, depois CDs, AIFFs, MP3s, tudo sempre muito alto. O barulho como forma máxima de expressão. Logo pôs as mãos em uma guitarra, que aprendeu a tocar e tocou muito. E alto. Bem alto. Alto, alto, alto.

Nunca ouviu John Cage. Preferia J.J. Cale. Punk rock sempre, sempre em festa e sempre cercado de alegria. Um homem feliz. A felicidade é barulhenta.

O volume da vida aumentou, o trabalho aumentou, a família aumentou, o dinheiro aumentou, as preocupações aumentaram, as responsabilidades, os acertos, os erros, a angústias, as necessidades, os desejos, as decepções, as escolhas erradas. Tudo era excesso, a forma máxima de barulho.

“Silêncio! Silêncio, por favor. Silêncio!”

Um dia acordou diferente. No começo, não percebeu o que estava errado. Sentia-se perdido, como se estivesse vazio por dentro, como se sua natureza o tivesse abandonado. Estava envolto em silêncio. Um silêncio puro, denso, profundo. No fundo da sua alma, sabia que o silêncio um dia o alcançaria.

Em silêncio, a sua essência se fora.

E agora, José?

O silêncio é vazio, é ausência. Com o silêncio veio o medo. Medo de ficar sozinho, de viver sozinho, de morrer sozinho. Só o barulho lhe dava forças. Em silêncio, descobriu-se fraco, como um Sansão às avessas.

Conheceu a tristeza profunda. Chorou muito, sozinho, em silêncio.

A ausência do barulho lhe doía na alma. Uma saudade profunda, uma tristeza que lhe esmagava o peito. Em silêncio, não conseguia mais fazer amor.

Como poderia ser que agora fosse obrigado a viver assim?

Tentou de todas as formas trazer o barulho de volta, mas não conseguiu. Nunca se sentiu tão impotente perante a vida. Descobriu sentimentos que não conhecia e entendeu que sua essência havia se perdido para sempre. Resignado, seguiu em silêncio. Entendeu que o silêncio é uma gruta escura. Aprendeu a sentir prazer em explorá-la, mas essa não era sua essência.

Nunca conseguiu ser verdadeiramente feliz em silêncio.

Mas existe uma esperança: morrer em silêncio deve ser o melhor tipo de morte. Sem agonia, sem barulho.

“Silêncio! Silêncio, por favor. Silêncio!”

Gostou do artigo? Compre a revista impressa

Comprar revista

Assine: IMPRESSO + DIGITAL

São 03 edições impressas por ano, além de ter acesso exclusivo ao conteúdo digital do nosso site.

Assine a revista
Compartilhar
  • Twitter
  • Facebook
  • WhatsApp

Conteúdo relacionado


Uma Nova História da Humanidade

Voltar para casa é um longo caminho

#37 Futuros Possíveis

por Mayra Sigwalt

Um dia de paz

#9 Obsessão

A verdade das máscaras e a ilusão da vida

#38 O Rosto

por Gustavo Mouro Conteúdo exclusivo para assinantes

Montanha ao longe

#30 Ilusão

por Léo Coutinho Conteúdo exclusivo para assinantes

Uma conversa com Nlaisa Luciano

#40 Demolição

por Pâmela Carvalho

Proust e a catedral da memória

#15 Tempo

por Eduardo Wolf Conteúdo exclusivo para assinantes

Se existe uma religião, a minha é a música: Hermeto Pascoal em O Menino d’Olho d’Água

Cinema

por Revista Amarello Conteúdo exclusivo para assinantes

Coleção Água — Amarello Loja

Cosmologias bucoanais: narrativas nanopolíticas

#48 Erótica Cultura

por Felipe Ribeiro

Ditos, mentiras e neuroses: o lugar da democracia racial no pensamento de Gilberto Freyre

#53 Mitos Sociedade

por Rafael de Queiroz Conteúdo exclusivo para assinantes

Portfólio: Gabriela Machado

#8 Amor

por Frederico Coelho Conteúdo exclusivo para assinantes

  • Loja
  • Assine
  • Encontre

O Amarello é um coletivo que acredita no poder e na capacidade de transformação individual do ser humano. Um coletivo criativo, uma ferramenta que provoca reflexão através das artes, da beleza, do design, da filosofia e da arquitetura.

  • Facebook
  • Vimeo
  • Instagram
  • Cultura
    • Educação
    • Filosofia
    • Literatura
      • Crônicas
    • Sociedade
  • Design
    • Arquitetura
    • Estilo
    • Interiores
    • Mobiliário/objetos
  • Revista
  • Amarello Visita

Usamos cookies para oferecer a você a melhor experiência em nosso site.

Você pode saber mais sobre quais cookies estamos usando ou desativá-los em .

Powered by  GDPR Cookie Compliance
Visão geral da privacidade

Este site utiliza cookies para que possamos lhe proporcionar a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Cookies estritamente necessários

O cookie estritamente necessário deve estar sempre ativado para que possamos salvar suas preferências de configuração de cookies.