#17CulturaSociedade

O vinho e a fé

por Vasco Croft

Domingo. Acordo entre as paredes de granito duma casa antiga, que está na minha família há muitas gerações, dizem, desde o século XVII. Abro a janela para a manhã chuvosa de setembro. Entre as portadas Bordeaux, estende-se, bucólica, uma familiar paisagem de vinhas, amparada por suaves montanhas ao fundo. Déjà vu recorrente.Olho de relance para a mesa da sala. Alinha-se uma coleção de umas nove garrafas de formato Borgonha. Por baixo dos reflexos que brilham no vidro escuro surpreende-me a alegre precisão das imagens dos rótulos, geométricas e contemporâneas, em cores variadas. Do lado direito destas, lêem-se 5 letras maiúsculas – Aphros.A elegância e a nitidez da presença dos objectos contrasta com a consciência na qual surgem, sem desenho que a defina ou margens que a contenham. Que nada sabe sobre si mesma. Consta que os primeiros nasceram da segunda, que nela habita o criador, o produtor, o responsável.Nasce um…

Este conteúdo é exclusivo para assinantes

Assine ou para ter acesso a todo o nosso conteúdo.