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#25EspaçoEditorial

Editor convidado: Lourenço Gimenes

por Lourenço Gimenes

É curioso quando um tema familiar se torna complexo, uma vez que nos propomos enxergá-lo sob outros ângulos. Em princípio, ‘espaço’ deveria ser um assunto elementar para mim – é, no limite, o meu objeto de trabalho como arquiteto.

Mas destacá-lo do contexto estrito da arquitetura exige, simultaneamente, uma dose de aventura e o reconhecimento de uma desconfortável ignorância. Espaço é uma palavra que assume contornos diferentes e, sendo parte necessária da vida de todos, torna-se um assunto perigosamente amplo. Na tentativa de entender alguns de seus outros possíveis significados, deparei-me com interpretações variadas. Filosofia, sociologia, física ou matemática oferecem ideias muito ricas, e, por isso mesmo, não faria o menor sentido discorrer aqui acerca do conceito de espaço para Aristóteles, Hegel ou Kant; para Simmel ou Dürkheim; para Euclides ou Descartes; para Newton ou Einstein. Eu nem seria capaz, mesmo que quisesse.

O espaço ao qual estou acostumado é normalmente composto pela arquitetura. Ele é o vazio (fim) resultante de uma intervenção construtiva (meio), no qual pessoas habitam, trabalham, interagem, divertem-se, agem… O espaço também se encaixa naquela categoria de vazios formados por massas arbóreas, formações rochosas, colinas, corpos d’água e – de novo – construções humanas que, como objetos, constituem o cenário da vida numa outra escala. De maneira que, quando alguém se refere a um espaço vazio, isso nada mais me parece do que um pleonasmo engraçado. Afinal, espaço é o próprio vazio, cujo significado é criado por quem o percebe ou ocupa.

Talvez o vazio seja uma chave interessante para um passeio pelas próximas páginas. Ele pode ser conduzido à interpretação de lugar, e o registro de sua própria antítese (o não lugar) pelas lentes de Rose Klabin é, nesse sentido, impactante. Não por acaso, alguns trabalhos abordados nesta edição são assinados por artistas-arquitetos, treinados na arte da construção e formatação de vazios-lugares. Na obra de Fabio Flaks, por exemplo, o vazio pode ser físico, familiar à sua formação acadêmica, mas também flerta com o vazio do cotidiano, do depois, das reminiscências. Uma técnica precisa e quase obsessiva revela um processo de investigação solitária, contaminada pelo próprio espaço do seu ateliê – cuja representação termina por tornar-se objeto de alguns trabalhos.

Bruna Canepa, por sua vez, a partir da investigação da linguagem arquitetônica, representa o espaço em função de sua contraposição sólida e precisa, onde a escala humana se entranha num espaço de linhas e massas.

No espaço proposto por Camila Sposati, cria-se um estranho paralelo com os teatros anatômicos do século XVI e a arquitetura (construir) cede à arqueologia (escavar). Aqui, o vazio é um meio para visualizar as entranhas da terra e um fim em si mesmo: o olhar é dragado para o centro, enquanto o trajeto nesse curioso buraco insiste na dicotomia entre ele e a sólida envoltória geológica.

Nesse embate entre o cheio e o vazio, que pode ser puramente físico ou psicológico, corpos humanos se entrelaçam pelas lentes de Ute Klein; paisagens urbanas revelam suas contradições nas empenas de Ivan Padovani, povos desafiam fronteiras políticas. E, já que tecnologia é assunto recorrente em qualquer esquina, o espaço (ilusório) encontra eco cada vez mais presente na realidade virtual, nos filmes imersivos e nos jogos eletrônicos, enquanto o espaço (sideral) se impõe como fantasia para a reposição de um espaço de vida humano, que em breve teremos sucesso em destruir completamente.

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