#30IlusãoArtigo

O gozo de perder: ilusão e poesia com Pessoa

por Roberta Ferraz

editora convidada da edição Ilusão Preâmbulo Soa inevitável, ouvindo a palavra ilusão, que esta escorra deliciosamente para uma outra, num contágio que logo se sugere – poesia. Poderia alargar este rio para o encontro fundo entre ilusão e arte, ilusão e vida, ilusão e consciência, ilusão e sagrado, mas, a mim, como me vem, é mais espessa a musculatura da soma quando, sob a ampla palavra, ancora-se o estro que a levita. Chamo poesia a toda arte da palavra, independentemente das toadas que acione em sua elaboração. Gostar de mais ler e escrever, é algo que, em mim, aconteceu à sombra sem repouso dos livros de Fernando Pessoa. A vertigem álacre que se nos é aberta nesta obra veio-me sob o impacto inelutável com que Pessoa entende, escrevendo, o sentido de seu fascinado labor-labirinto: escrever é emaranhar-se na ilusão, e toda ilusão é já possibilidade de outra visibilidade das coisas,…

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