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#55Imagem BrasilNaturezaViagem

Friluftsliv, visse: Por aí em Barracuda Hotel

por Tomás Biagi Carvalho

Para os nórdicos, a palavra Friluftsliv significa muito. Ela foi popularizada na década de 1850 pelo dramaturgo Henrik Ibsen, que usou o termo para descrever a importância de passar um tempo em lugares remotos para o nosso bem-estar físico e espiritual. Ela nos faz lembrar tudo o que viemos esquecendo nos últimos séculos, nossa conexão com o meio ambiente, desconectar-se do estresse diário e melhorar o bem-estar físico e mental, independentemente do clima. Basicamente, da onde viemos e para onde voltaremos.

Nas minhas últimas férias de janeiro, estive na Noruega e fazia -40 graus. Fiquei muito impactado quando falei com uma prima que estava na Bahia e ela me disse que estava 45 graus. Estávamos a mais de 85 graus celsius de diferença, sobre o mesmo planeta terra, no mesmo dia 7 de janeiro de 2026.

O clima na Escandinávia é radicalmente diferente do clima no Brasil, e na Bahia, as coisas acontecem mais ou menos da mesma forma. No solo soteropolitano,  realmente existe uma coisa especial, única no mundo, e que é muito difícil de traduzir. Talvez o que melhor traduza seja um misto de vento quente no rosto e os primeiros vinte segundos da música Marina, do Gilberto Gil.

Nenhum estado que faz fronteira com a Bahia tem algo semelhante à essa coisa mágica que ela tem. Não sei se é o dendê presente na culinária e seu perfume no ar, não sei se é a ligação única e direta com a África no Recôncavo, as crenças católicas sincretizadas com os orixás, ou a luz estarrecedora que brilha na baía de Todos os Santos. No fundo acho que é tudo o que isso proporciona em termos de personalidade, bem-estar, estilo de vida e cultura para as pessoas que nascem e vivem ali.

Depois de 30 anos visitando a Bahia, o litoral, o sertão, a chapada e até as montanhas, foi em Itacaré que conheci uma Bahia que só existe naquele canto, rodeado de Mata-atlântica.

Não é à toa que os suecos construíram ali o Barracuda Hotel como um projeto de vida. Se conectaram de primeira com aquele litoral, único no estado com um resto que sobrou de mata atlântica na Bahia, um dos biomas mais ricos e biodiversos do mundo.

A Suécia tem uma sofisticação simples, que se aproxima muito do que temos aqui no Brasil, obviamente que cada país com suas características. É a sofisticação simples da vida cotidiana, de pescar o peixe que se come e assar na grelha na beira do rio, no cuidado com o corpo, com a qualidade de vaida inserida e próxima à natureza.

Itacaré tem uma condição ímpar que mistura surf com o cultivo do cacau. O cultivo do cacau nas primeiras décadas do século XX foi um dos ciclos econômicos mais importantes da história da economia brasileira, marcado pelo cultivo do cacau para exportação e que depois foi devastado pela vassoura de bruxa, no final dos anos 1980, na mesma época que o surf começou a aparecer por lá de forma orgânica, como consequência do isolamento e da natureza intocada que a crise da vassoura de bruxa acabou preservando. 

A cultura da pesca é muito consolidada em Itacaré, praticamente todas as famílias de alguma forma vivem dela, e muitas dessas pessoas trabalham no restaurante do Barracuda trazendo para o hotel peixes e crustáceos frescos de manhã, pescados por eles mesmos. 

Mas é o fogo o ingrediente mais importante de conexão de tudo isso. A cultura de se alimentar com alimentos frescos, recém colhidos e grelhados, seja no hotel, em um barco ou na beira do rio, conecta a Suécia com a Bahia e o cacau com  surf à uma cultura mais simples, local, ligada à natureza  ancestral, que faz daquele canto no sul da Bahia único.

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