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O país dos muitos hinos

por Juliana Cunha

Na cozinha, um radinho inofensivo é a voz do Estado dentro de sua própria casa. Ele toca notícias sobre o novo satélite lançado ao espaço e músicas que enaltecem a cumplicidade familiar e a amizade entre colegas de trabalho. O volume pode ser reduzido, mas não dá para desligar o aparelho. E você só queria fritar um ovo.“Minha esposa é aquela que me ajuda a transmitir o espírito revolucionário para nossos filhos” – diz a canção, que se pretende de amor, mas cuja grandiosidade esmaga esses pequenos sentimentos que um sujeito possa ter por sua mulher, como uma vontade súbita de abraçá-la enquanto ela lava a louça.Estamos em Pyongyang, na Coreia do Norte, lar do Grande e do Querido Líder. A única dinastia comunista da história. O país mais fechado do mundo. Um povo que baniu o silêncio de seu território a machadadas. Ficar na sua é difícil. Em algum…

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