#18RomanceCulturaLiteratura

Um apontamento de identidades

por Arthur Telló

“Madame Bovary sou eu”, assim respondeu Gustave Flaubert ao processo movido contra ele por obscenidade, atentado à moral e conivência com o adultério após o lançamento do seu célebre romance. Se pensarmos, no entanto, na figura do escritor como um reflexo da sociedade burguesa da qual participava, Madame Bovary era também a imagem de todo francês daquele tempo, fruto dos seus costumes, instituições e da sua educação; e são tanto quem era esse francês quanto como ele foi retratado dentro da obra as perguntas que tal frase nos enseja.Antes de entrarmos propriamente em tais questões, mas já entrando nelas de forma oblíqua, cabe-nos fazer um recuo ao horizonte de expectativas romanescas e estéticas que figuravam na época do lançamento do livro. Naquele tempo, a experiência de leitura dos futuros leitores de Flaubert era dada pelos romances de Stendhal e de Balzac, nos quais os protagonistas, em geral vindos do meio…

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