Skip to content
Revista Amarello
  • Cultura
    • Educação
    • Filosofia
    • Literatura
      • Crônicas
    • Sociedade
  • Design
    • Arquitetura
    • Estilo
    • Interiores
    • Mobiliário/objetos
  • Revista
  • Entrar
  • Newsletter
  • Sair
  • Facebook
  • Vimeo
  • Instagram

Busca

  • Loja
  • Assine
  • Encontre
Brasa, série fotográfica de Gleeson Paulino, gentilmente cedida para a edição O Homem: Amarello 15 anos. Todos os direitos reservados.
#51O Homem: Amarello 15 anosLiteratura

A obra é espelho

por Marisa Giannecchini

Meu percurso em leitura e releituras da obra Os sertões, de Euclides da Cunha, talvez seja uma das narrativas com mais histórias dentro de mim. Era leitura obrigatória na universidade e exigiu (ou era minha exigência) ler as linhas, no fluxo contínuo de tantas páginas. O diálogo do autor com as pesquisas de campo trazia, em meio à história, um repertório não familiar a mim. Eu me perdia, eu me encontrava — espectador, no ofício de acompanhar também as vozes, na ordem da ciência.

Três partes integram o conjunto da obra: A terra, O homem, A luta. Levei-as, em minha profissão, para as escolas pública e particular, e mesmo para a universidade, incluindo a pós-graduação. Na Semana Euclidiana, eu já questionava minha interação com a obra. Em São José do Rio Pardo, em puro ensaio, recortei um fragmento do texto e, diante do público adulto, realizei a surpresa de os meninos encenarem o que brotava como fruição do “rio da aldeia”. Essa mise en scène abriu veredas em minha experiência poética, emocional. Fui em busca da pulsação da linguagem, das linguagens. Assumi, em primeiro plano, a teatralidade que Euclides oferece ao leitor. Passei pela ampla bibliografia de autores convocados pelo enunciador/narrador para convalidar sua tese: o sertão/o homem/Canudos. Segui, contudo, as lições de Ítalo Calvino em Seis propostas para o próximo milênio: o projeto de reinventar sentidos, em busca de “leveza” e “consistência”, em meio a um universo. Em Os sertões, a partitura: o ritmo que se constrói na conjunção do plano de expressão/plano de conteúdo.

Como motivação para esse recorte na apreensão da obra, a exemplo de Calvino, levo uma “verdade” que organiza meus passos. Quando o mundo à frente se mostra incomensurável, volto às matrizes míticas para buscar a essência do que se reinventa em travessia. Para vencer a Medusa, visto-me de Perseu e olho, no espelho, o que dou conta para poder, progressivamente, vencer a Górgona mortal que petrifica.

Escolho o ângulo para entrar no reino da linguagem, com vistas a estratégias para os desafios. Preciso do espelho que reflita a obra, apreendê-la pelo vértice que cabe em mim. É assim que ouso “penetrar surdamente no reino das palavras”: lá está a polifonia de múltiplas vozes na densidade de sua criação. Transcendo o Tejo e vou, progressivamente, em busca da sonoridade compatível com a minha condição humana. Lá está Os sertõese seus poemas inscritos.

Tenho vivido, atualmente, o insólito como expectador, partilhando a leitura em grupo com um coro afinado diante da construção da narrativa. Até certo ponto, livre, catarticamente, para fruir o palco onde se encontram o homem brasileiro, Antônio Conselheiro e o bando de jagunços.

Convido você, leitor, a fazer essa travessia. Mais cedo ou mais tarde, com o livro ou esta revista à mão, viva a experiência estética para ser também ator em cena. Afinal, o rio da aldeia, em espelho, contém a ancestralidade pulsante!

Gostou do artigo? Compre a revista impressa

Comprar revista

Assine: IMPRESSO + DIGITAL

São 03 edições impressas por ano, além de ter acesso exclusivo ao conteúdo digital do nosso site.

Assine a revista
Compartilhar
  • Twitter
  • Facebook
  • WhatsApp

Conteúdo relacionado


A beleza que nos faltava

#14 Beleza

por Eduardo Wolf Conteúdo exclusivo para assinantes

Canto Sagrado

#54 Encanto Editorial

por Gean Ramos Pankararu Conteúdo exclusivo para assinantes

Oralidade, tradição, sons e ritmos: formas de reencantamento do mundo

#54 Encanto Cultura

por Rafael de Queiroz Conteúdo exclusivo para assinantes

Resgate

#37 Futuros Possíveis

por Nelson D

Na capa: Guilherme Bergamini

#30 Ilusão

O Rosto — Amarello 38

por Revista Amarello

Um cafezinho com Juliana Benfatti

por Tomás Biagi Carvalho Conteúdo exclusivo para assinantes

Protect me from what I want

#20 Desejo

por Helena Cunha Di Ciero Conteúdo exclusivo para assinantes

Uma experiência coronária da filosofia africana: amor, futuro e ancestralidade

#47 Futuro Ancestral Sociedade

por Katiúscia Ribeiro Conteúdo exclusivo para assinantes

Mancha ou alguma hora a gente precisa usar short

por Marina Lattuca

Porque no princípio era a água

#42 Água

Amarello Visita: Pinacoteca de São Paulo

#54 Encanto Amarello Visita

por Luísa Kiefer Conteúdo exclusivo para assinantes

  • Loja
  • Assine
  • Encontre

O Amarello é um coletivo que acredita no poder e na capacidade de transformação individual do ser humano. Um coletivo criativo, uma ferramenta que provoca reflexão através das artes, da beleza, do design, da filosofia e da arquitetura.

  • Facebook
  • Vimeo
  • Instagram
  • Cultura
    • Educação
    • Filosofia
    • Literatura
      • Crônicas
    • Sociedade
  • Design
    • Arquitetura
    • Estilo
    • Interiores
    • Mobiliário/objetos
  • Revista
  • Amarello Visita

Usamos cookies para oferecer a você a melhor experiência em nosso site.

Você pode saber mais sobre quais cookies estamos usando ou desativá-los em .

Powered by  GDPR Cookie Compliance
Visão geral da privacidade

Este site utiliza cookies para que possamos lhe proporcionar a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Cookies estritamente necessários

O cookie estritamente necessário deve estar sempre ativado para que possamos salvar suas preferências de configuração de cookies.